Aprendendo a amar o conflito saudável: Como a cultura influencia nossa abordagem do conflito

Madlen Popignatova 17
September 3rd, 2021
Article by: Sophie Poulsen
Aprendendo a amar o conflito saudável: Como a cultura influencia nossa abordagem do conflito

O conflito é uma parte natural – e necessária – da vida e dos relacionamentos. É como você lida com o conflito que se determina se ele será uma experiência negativa ou uma experiência de crescimento positivo.

No Programa de Líderes Emergentes THNK, um dos tópicos que exploramos é o conflito saudável, uma forma construtiva de resolver conflitos que fomenta o respeito e permite como resultado que todos os envolvidos cresçam e evoluam. Bechara Abi Assi, o principal membro do corpo docente do programa, elabora: “A ideia é que administrar conflitos de maneira saudável pode ajudar a encontrar um caminho melhor, seja uma solução melhor ou uma perspectiva mais abrangente sobre o tema. Ser capaz de abordar o conflito de forma saudável ajuda a expandir sua mente para dar uma resposta melhor.”

Cultura e conflito

Quando os participantes da Classe 1 do Programa de Líderes Emergentes foram questionados sobre seu conforto com o conflito, muitos deles começaram sua resposta explicando sua cultura e seus antecedentes. A empreendedora social Anna atribui sua antipatia pelo conflito à sua criação na Ásia, onde o conflito é normalmente evitado. Outra participante credita sua alta tolerância ao conflito à sua herança mexicana e trata a “vida como uma telenovela”.  Finalmente, Lili, uma coach de inovação finlandesa que trabalha na Suíça, admite que ela tem uma tendência a se afastar dos conflitos, mas reconhece que é uma parte natural da vida e do crescimento tanto no nível pessoal quanto profissional.

Em seu livro “O Mapa da Cultura” (tradução livre para “The Culture Map”), a professora do INSEAD Erin Meyer esboça oito escalas nas quais avaliar diferentes culturas:

  • Comunicação: explícita X implícita
  • Avaliação: feedback negativo direto X feedback negativo indireto
  • Persuasão: dedutiva X indutiva
  • Liderança: igualitária X hierárquica
  • Decisão: consensual X “de cima para baixo”
  • Confiança: tarefa X relacionamento
  • Desacordo: confronto X evitar confronto
  • Programação: estruturada X flexível

A escala de “discordância” mede a tolerância à discordância aberta e a inclinação em vê-la como útil ou prejudicial às relações de trabalho. Em resumo, culturas diferentes têm ideias diferentes sobre como o confronto é produtivo para uma equipe ou organização.

Aqui está um exemplo de mapeamento da cultura em ação, comparando a Alemanha, a França, a China e o Japão:

conflito saudável

Deseja mapear seus próprios países? Confira a Ferramenta de Mapeamento de Países da autora, que lhe permite clicar em qualquer país com o qual você esteja trabalhando e receber um mapeamento cultural deles e das culturas selecionadas. Com esta ferramenta você pode comparar como duas (ou mais) culturas constroem confiança, dão feedback negativo e tomam decisões.

Você pode apprender a amar o conflito?

Além da cultura, nossa infância e nossa educação também têm um impacto em nossa abordagem ao conflito. Os pais da professora holandesa Annemarie Steen eram ambos dentistas que valorizavam o pensamento racional sobre “emoções inúteis” como a raiva e a frustração – então ela cresceu suprimindo essas emoções, tornando difícil a comunicação quando confrontada com o conflito. Para Bechara, por outro lado, crescer no Oriente Médio significava que “a harmonia era soberana”. Ele explica: “Integrar-se à McKinsey, em que o conflito (saudável) faz parte de seu DNA, foi um verdadeiro choque para mim. Meus primeiros seis meses foram um pesadelo; as pessoas me diziam que meus slides estavam desconectados, que minhas soluções precisavam ser melhoradas, ou que minha comunicação não era clara. Eu levei tudo isso para o lado pessoal, e isso me deixou bastante ansioso e assustado no trabalho.

Gradualmente, aprendi que este feedback sobre meu trabalho ajuda a torná-lo melhor e não é um julgamento sobre mim. A partir daí, minha perspectiva sobre o conflito mudou, e agora tento abraçá-lo o máximo que posso”.

Como Bechara ilustrou, a boa notícia é que a gestão de conflitos é algo que você pode aprender. Dominar o  conflito saudável é tanto um mindset quanto uma prática.

Tenha em mente que embora você possa aprender a administrar conflitos de maneira saudável, sempre haverá algum desconforto em torno dele. Como diz o professor Mark de Rond: “Qualquer conflito é incômodo – um conflito ‘saudável’ não se sente menos desconfortável por ser ‘saudável.'”

Learning to love healthy conflict: How culture influences our approach to conflict
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Comece aqui: 5 dicas para praticar um conflito saudável

  1. Foco na abordagem. Fora da situação de conflito, Bechara diz que é igualmente importante discutir a abordagem de cada pessoa ao conflito em vez de focar apenas no conteúdo do conflito em si. Isto pode ajudar cada lado a compreender melhor a abordagem do outro lado, bem como a construir empatia examinando diferentes perspectivas. Como a situação se apresenta para a outra pessoa?
  2. Não leve para o pessoal. Quando você faz isso, sua capacidade de resolver conflitos é drasticamente reduzida. Se você pode ir além de levar as coisas para o lado pessoal, você pode começar a construir uma nova narrativa. Esteja aberto ao que está acontecendo para que a outra pessoa e aprenda com a situação. Não é fácil, mas pode ser uma enorme experiência de crescimento pessoal e profissional para você.
  3. Dê tempo a si mesmo. Muitas vezes, a resolução de conflitos requer mais de uma conversa. Se você iniciar um processo de resolução de conflito o repelir, tire um “tempo” para si. Pergunte à outra pessoa se você pode ter um tempinho para pensar sobre o que surgiu até agora e volte à conversa mais tarde, quando tiver tido tempo suficiente para refletir. A parceira da THNK Natasha Bonnevalle sugere: “Force-se a refletir sobre o papel que você desempenha.” Pense no que é a resposta mais verdadeira e valiosa”. Há o resultado para o negócio e o resultado para o relacionamento – é importante ter ambos em mente.”
  4. Identifique onde a tensão se encontra em seu corpo. Quando você é confrontado, onde você o sente em seu corpo? Em seu pescoço, em seu peito, em seu intestino? Tente relaxar essa parte de seu corpo e use uma respiração ritmada para liberar a tensão. Isto pode facilitar o enfrentamento de uma situação de confronto.
  5. Aceite-o. Quer você goste ou não, o conflito fará parte de sua vida, especialmente em seu papel de líder, em que você será confrontado com decisões difíceis, personalidades diferentes e situações pesadas. Quanto mais cedo você aceitar isto, mais cedo você poderá começar a construir uma atitude saudável e produtiva em relação ao conflito e usá-la para enriquecer sua liderança em vez de deixá-la dominá-lo.
Este artigo foi publicado originalmente (em inglês) no blog da THNK.

Descubra ferramentas para praticar o  conflito saudável no Programa de Líderes Emergentes da THNK.